domingo, 29 de janeiro de 2012

o campo dos girassóis, o roseiral que se perde no horizonte












Uma criança...
eu criança dolorida,
crescendo na pressão do existir,
do ter que mudar sob os holofotes
do que andei construindo

O mundo que está em mim trouxe-me até a essa rua,
a essa modesta casa,
a essa simples cama coberta com lençóis
nem limpos nem sujos

"Um homem verdadeiramente sábio,
não se abala diante dos oitos ventos"

Algo queimante traféga em meu estômago,
e vos digo que não se trata de literatura,
figura de linguagem, imagem, metáfora...

Mais um encouraçado,
mais uma guerra, batalha, desafio:
unido ao mágico, ao criativo, ao religioso...
pleno de confiança,
observo a outra margem do vasto oceano,
o campo dos girassóis,
o roseiral que se perde no horizonte

(edu planchêz)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

nascedouro das estrelas azuis douradas



Falando com a vida, falando com o falar,
esticado na cama sob o calor de janeiro,
sob a saudável tarefa de discutir com os dedos
onde colocar o barco e os remos

Sei que os continentes se preparam
para nos receberem repletos de música,
pois somos os mandarins da nova idade,
os que carregam nas galhas das costas o nascedouro
das estrelas azuis douradas

(edu planchêz)

Lição
















quando a física tempestade se manifesta
nos carvões do nostro esqueleto,
é chegar na morte ou perto dela,
captar sons nunca ouvidos,
estar nos poderes mântico rajados no que esta quebrado,
se revirar nas partículas desprendidas da camuflagem do ogro,
ter a carne entre os caninos do tigre,
se entranhar nos ossos das serpentes cravejadas de desenhos

falo sobre o que não se traduz pela relés linguagem,
é o que é sentido, cravado nos tendões,
viagem de múltiplas milhas no indecifrável sofrimento,
colisão estrondosa da alma em coágulos

(edu planchêz)

Prenda minha



21h37m

Não estou com a mínima vontade de escrever,
escrevo apenas para assoprar
das carrancas a solidão implacável,
o isolamento que lança enxurradas de vespas
enfurecidas em meus corpos elétricos,
sobre os lençóis do incognicível

05h15m

Desperto assim cedo para os que ainda não dormiram,
desperto com as alças da emblemática manhã esticando meus braços
com o sentimento das aves que migram
do gelo maciço ao gelatinoso fogo
dos incontáveis países da esfera sul

05h29h

Prenda minha, te chamo assim com muita convicção,
com uma saudade indescritível, chorando por te amar tanto,
por ver desenhado no "tempo da delicadeza" nossos corações
patamares de céus apinhados de astros-raios-de-esperança
rasgarem nossos peitos para no peito da Terra
traçarem nossas amadas artes

07h02m

Continuo pensando na minha Prenda, ela é única,
adorável, mulher linda, deusa que me deixa paralisado,
sem ar, ouvindo o canto do canário
que floresceu em Fernando Pessoa

10h05m...

(edu planchêz)

Além das alturas alçadas pelas águias
















Além das alturas alçadas pelas águias
está meu coração comum que é mais lindo ou tão lindo que o corpo
de qualquer atriz e modelo

(edu planchêz)

Diante das últimas notícias trazida pelas árvores
















Diante das últimas notícias trazida pelas árvores,

as batidas do meu coração
e as batidas do coração do centro mãe do universo:
os fetos das estrelas,
estão bem entranhados em nossas cabeças
ventre leitor de todas as notícias

O mais inspirado de todos os poetas da Terra nada no magma
das atuais solares explosões,
"te odeio e te amo ao mesmo tempo",
(palavras da dramática atriz Alice
que esteve em meus espelhos
porque muitas vezes sou um pequeno rubi
desprotegido por minhas próprias distrações)

Volto ao giro de meu sublime umbigo
e sei que não sou menor nem maior,
nada devo aos que se acham

Os que tudo sabem e os que nada sabem,
e os que pensam...
transladam em órbitas que não são minhas
e que são minhas por afinidade racial

(edu planchêz)

O Vento-Tempo













O vento daqui e o vento de além,
se interagem, interagem mundos,
seres, entidades terrenas e celestiais,
e coisas que não sei denominar...
flores e frutos, caules e raizes...

Eles-nós viemos das cratéras,
dos furos dos monolitos,
das caçambas recheadas de planetas,
será que você lembra?
Será que esqueci?

O vento que agora chamo de tempo
cravou e continua cravando seus dentes de histórias
em nossas carnes repletas do que nunca se esquece

Ele não era Rei, Rainha! Ele é Rei, Rainha! E continuará sendo,
e para todo o sempre há de estampar a linguagem de sua nação
nos tecidos dos que aqui estiveram,
estão e nos ainda por chegar

Há alguma lembrança? Algum porão? Algum navio? Céus?
Algum vulto do suposto distante rastejando em teus sentidos,
em meus sentidos: trazendo água,
luz de fogueira, panelas de argila,
rajadas de sangue, gritos de mulheres, choro de crianças,
cânticos intra-estelares-intra-uterinos cantarolados e dançados
para saudarem o Vento-Tempo

Quem de nós sabe o que aqui está à fazer?
Ves os pássaros que te visita a noite
para trazerem em seus bicos de marfim e cobre
as noticias do começo e do fim

Ves a dimensão dessa bola azul viajante que ora pisas,
num passado incalculável não passou de uma bola de fogo
que um dia conheceu a chuva,
que um dia acolheu o mar e sucessivamente
o que agora vemos e não vemos

(edu planchêz)

na árvore da união a dourada maçã














pouca ou nenhuma nuvem estampa a epiderme,
a coberta do corpo,
as engrenagens elásticas
sempre prontas ao movimento...
fiéis ao vosso passo,
ao estradar de meu eu guerreiro

naquele canto que sob o olhar

que tenho toma o formato de um caracol,
recosto um dos ombros
e permaneço inerte por um instante

meus amigos movem-se
no oxigenio da nova compreenção,
eu me movo com eles
e apanho na árvore da união a dourada maçã

(edu planchêz)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

tudo é Dragão arrastando as asas e a calda pelos céus


"A tartaruga mágica é um ser dotado de poderes extraordinários; pode viver do ar e não necessita de alimento material."


Se pouco vejo desse hoje, resume-se ao que ainda não compreendo,

ao que guardo em algum lado, em algum orgão,

nas ardidas mão minhas;

é pouco que sei, é o nada que ainda não aprendi

por falta ou excesso de tranquilidade


Chego o momento de juntar novamente as mãos

e cair de joelho na terra,

agradecer o aqui ainda estar,

os tesouros que possuo e não valoriso


Tudo é pequeno, tudo é Dragão arrastando as asas e a calda

pelos céus


(edu planchêz)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Salto alto






Tim Maia: 5h59m de segunda-feira-
Curicica-Jacarepaguá-Rio de Janeiro de meus amores-trans,
carnavais do sempre,
cruas cortinas que rasgo a essa altura da vida,
a essa altura

Recarrego o rebanho de serpentes com as conchas,
com a madrepérola do teu sorriso,
com os sonhos de Leila Diniz,
com carne viva de tua costas

Meu poema que não é meu nada procura,
se abastece de leite
no bico do teu peito,
nas lantejoulas de tuas íntimas peças

Quando falo de cinema,
falo de você e Greta Garbo,
de todas as divas do blue,
das vedetes divinais

(edu planchêz)

"eu me vi em você"







Um mamoeiro com três mamões bem amarelos
à beira da linha amarela
que liga a zona oeste da cidade ao centro
das multidões que se atropelam
no verbo que me disses:
"eu me vi em você"

Complexo algo dizer, complexo desalinhavar o bordado
que você e outras fizeram nos carretéis do meu cérebro,
melhor reconstruir com os sonhos a rosa montanhosa
que cá esteve com você e com quem mais não sei dizer

Eu me vi em você e me vejo na minha mãe
que há pouco partiu,
nos olhos sangrados da alma das fadas...

Esse poema não diz nada, ou diz o que não sei dizer,
ou o que não quero dizer
porque o turbilhão do que vivo,
se duvidar e é maior um bilhão vezes que esse planeta
e o sistema que ele pertence

Eu não pertenço a nenhum sistema
e tão pouco esqueço dos muitos beijos,
das muitas entranhas por mim exploradas,
das tuas entranhas, do teu leite derramado
sobre meu peito, inesquecível

(edu planchêz)

sábado, 7 de janeiro de 2012

sou Artaud enfurecido















Tenho unhas afiadas mesmo,
sou Artaud enfurecido

cuspindo demônios
armados com cajados
cheios de espinhos afiadíssímos


(edu planchêz)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

àcido (eu)










só vale se for visceral,
além do dentro e do fora,
além da sombra
e do vulcão estrelado

àcido (eu)
corroendo as torneiras

por onde sai a sombra
que edifica a cegueira


(edu planchêz)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

o celebrar do encontro de nossas bocas-línguas


Chuva torrencial nos prados,
ruas e montanhas do Carnaval ventre Rio de Janeiro:
dormi cedo e acordei cedo
para ver uma mulher faminta subir pelas paredes e pelas cordilheiras:
a poesia tudo permite quando se é Garcia Lorca até o fim do mundo
dos que possuem o mundo que nunca acaba

Dezenas de luzes desenhadas pela chuva,
pela carta que escrevo sem palavras na película, na pele,
nas membranas do coração dos dançam e dos que podem aprender
a dançar a dança que Izadora Dantas forjou
no metal incandescente do tempo inesquecível

Estou entregue a existência, ao tema que pensares,
aos teus seios bem torneados,
aos tons da aquarela do grande orgasmo

Amor, de qualquer cidade, nação, raça, cor...
agora sou Walt Witman velejando no mar do negro mapa tuas costas
mãe do infinito grão de areia

Quebremos todos os relógios com os dedos das mãos e dos pés
para que nunca termine o celebrar do encontro de nossas bocas-línguas
criadoras de oceanos e céus e pastagens sonoras de tanto silencio


(edu planchêz)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O ANIMAL POÉTICO


Vidoeiro ou Teixo,

madeira que enverga mas não quebra,

usada pelos antigos guerreiros

para o construir de arcos...


Agora que sou flecha certeira,

pulso em tua direção,

em teu colar de brilhantes,

nos arrepios de teu pescoço,

nas canções de paz e guerra

geradas nas grinaldas da cama


E o escrever é um arco, transplante de órgãos,

beijo demolidor, pernas e ventres entrelaçados

O tesão que sinto é matéria muito forte mesmo,

desafia o poder de impacto de qualquer fêmea,

por isso meus versos são imbatíveis,

minhas canções avassaladoras,

minha presença na Terra, um marco


Esse é um poema de força,

de eletricidade avançada,

repleto de tufões e imperativos relâmpagos

Na real, quero que a Terra translade só para mim,

para os meus desejos coletivos

"Olhai os lirios do campo", foi o que sempre fiz,

minha maior segurança é não ter segurança alguma

Salto no escuro, pouco me importa se há luz,

plumagens para amortecer minha doce queda...

vivendo assim já penetrei em ti e em mim meio século,

poderosos dias e noites


Mestre, o animal poético, segue, resoluto,

pisando sobre seus próprios pés,

sob o raiar de cada ano girando no medo

e nas claridades do nada saber


(edu planchêz)

domingo, 25 de dezembro de 2011

CALDO DE ESTRELAS























Estou nesse agora no interior do estado de São Paulo,
mais precisamente, em São José dos Campos,
pátria do pintassilgo Cassiano Ricardo
e muitos outros irmãos e irmãs...


Mundialmente falando,
estou em casa, na casa de meus pais,
na casa do grande Rio
que me fez bodsatva da Terra peixe-poeta


Grande satisfação cá estar, piso no ninho,
nos ovos e nos gravetos que os acomodam,
sou um de desses ovos, um desses gravetos,
o lagarto pai e filho dos vindouros filhotes


Entro nas cameras da pirâmide construída por meus pais,
entro na cidade e no coração dos que nela habitam:
repito, estou em casa,
em meio a algo querido que me trouxe ao mundo dos homens,
ao mundo subjetivo e objetivo que arrasto e me arrasta


Dizer que um de meus pés é a ponta de um compaço,
é dizer que eu sou um dos construtores
desse planeta cadente de palavras


Irmãos e irmãs, desse tempo e de outros tempos
a planta de de nossos pés pisam às páginas do livro escrito por todos
que aqui pensam, pensaram e o pensarão


Por essa razão e muitas outras, tenho cá em meus braços a panela,
o caldeirão de barro e o fogo do bronze
para preparar o caldo de estrelas que nos manterão salteadores de montanhas
pelos quilometro de vidas que hão de vir e passar...
e certamente prover o mesmo movimento infinitas vezes


(edu planchêz)

sábado, 24 de dezembro de 2011

diante dos cantares de alguém















A Ponta Verde da manhã estende suas mãos de folhas
para os filhos do novíssimo mundo
caminharem na direção da estrela única
que aponta no círculo que se auto-desenhou
diante dos cantares de
alguém

Ouço o badalar das sementes dentro
do ventre do que mais amo
]E o que eu mais amo espalha suas petalas

Calor de muitos graus dentro do dezembro de hoje...

Me resta abrir as ventarolas,
as janelas da alma em busca de vento

e clamar pelas meninas de Aldebarã,

Gopis à trazerem em seus aventais
frutas geladas
e cascas de estrelas ex-amêndoas

(edu planchêz)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A lâmpada













A lâmpada que esteve a noite toda tagarelando
com meus olhos adormeceu antes deles se abrirem para o sol
e para as cascatas da ampla claridade

Verde é a casa que tenho nas capitais de meu corpo,
vetor das forças amáveis da engenharia galáctica
reinante em mim e em você de escorpião, libra...

Sem nenhum tema acordo para dormir
longe dos sapato e perto dos sapatos que me levarão
para os cendeiros do mundo

( edu planchêz)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Pilares






"BEBÊ": essa genial canção de HERMETO me emociona,
é uma das canções que me mantém vivo,
vos garanto ser um dos pilares de minha simples existência.

Nossas vidas são mantidas por pilares: canções, livros, poemas, amores...

Alguns filmes também me são pilares, alicerces:
"A Dama do Lotação" do diretor Neville de Almeida, me mata,
me arremeça nas rachaduras do tempo e nunca mais deixo de ser menino,
sujeito devasso sagrado, bolinador implacável,
sorridente amante de tardes manhãs e noites

A aprendi a foder com Sônia Braga...quantas punhetas,
fui e sou visceralmente apaixonado por essa Dama do Lotação...
Nunca esquecerei a canção tema do filme de Caetano Veloso "Pecado Original",
choro ao ouví-la, desabo em prantos,
em lágrimas que inundam a Guanabara de meus amores

(edu planchêz)